djokana verde

Poesias para minha futura esposa. escrito por João Claudio Gomes de Sousa, atualmente estudante de Jornalismo e escritor.

Wednesday, September 13, 2006

amargo relembrar

e eu, com ferida letal
eu, que um dia me julguei o tal
me vejo como simples mortal
e, se não vejo o bem, também não vejo o mal.

vejo o amor que em meu peito declina
em cada beijo, punhalada, abandono que alucina
fechando de vez a cortina
da escola da vida, que a quem não mata, ensina.

as asas do anjo não voam mais
os beijos santos não trazem paz
me questiono hoje se já sou velho, pois não sou rapaz
não tenho mais a juventude de um peito que se refaz.

então, entregue ao relento
sozinho, no escuro, eu sempre relembro
um amor, que de tão grande me era um talento
me fazendo uma cópia mal feita o sentimento parecendo
como se o amor , somado, fosse apenas se perdendo.

o céu, que antes era azul sereno
hoje é tão pequeno
que não cabe a alma de lamento
que perpetua em meu ser, a cada momento.

ainda chove, e chove um frio escuro
sobe em meu sentimento um muro
que hora protege, hora esmaga o amor, tão puro.
nao diga que este sentimento está em desuso...

pois sujo está meu passado
de erros cometidos, arraso
pessoas erradas, atraso
tempo que não volta, e se volta, estendo o braço
remendo o velho laço
e tento lembrar que amei - coisa que hoje não mais faço.

0 Comments:

Post a Comment

<< Home